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CAPÍTULO 78 — A SELVA VIVA

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Capítulo 78 de 94

CAPÍTULO 78 — A SELVA VIVA


O segundo dia começou com o ataque.

Não veio de monstros. Não veio de Codificadores. Veio da própria terra.

O chão sob os pés do grupo tremeu, e raízes grossas como braços humanos romperam o solo, enrolando-se nos tornozelos dos caçadores da retaguarda. Gritos ecoaram pela floresta.

— As raízes! — Bruno gritou, cortando uma com a espada. — Ela está usando as raízes!

O caos se instalou. A selva inteira parecia ter acordado. Árvores balançavam violentamente, lançando galhos como lanças. Cipós desciam dos galhos altos, enrolando-se em pescoços e braços. O chão se abria em fendas rasas, engolindo os que caíam.

— Formação! — Fernando gritou. — Margarida na frente! Bruno e Gabriel nos flancos! Raul e Sofia no centro!

O grupo respondeu ao comando instintivamente. Margarida ergueu o escudo, criando uma barreira de mana que desviava os galhos mais grossos. Bruno e Gabriel cortavam as raízes que avançavam pelos lados. Raul usava o Overclock para desviar dos ataques aéreos.

Fernando fechou os olhos e ativou o Root evoluído.

Dessa vez, ele não viu apenas o código. Ele sentiu a intenção por trás dele. A Ancestral não estava atacando cegamente — ela estava testando.

— Ela quer ver do que a gente é capaz — Fernando murmurou.

— O que? — Elisa perguntou ao lado dele.

— Ela não está tentando nos matar. Está nos avaliando. — Fernando abriu os olhos. — A gente precisa mostrar que não somos uma ameaça.

Ele estendeu as mãos e, em vez de editar as raízes, se comunicou com elas. O Root evoluído pulsou, enviando uma onda de calma através do sistema vegetal.

As raízes pararam.

Os cipós afrouxaram.

A selva ficou em silêncio.

O grupo olhou para Fernando, sem entender o que havia acontecido.

— Ela parou — Sofia disse, incrédula.

— Não parou. — Fernando estava ofegante, o suor escorrendo pelo rosto. — Ela entendeu que a gente não quer lutar. — Ele se virou para a direção onde o fragmento de Raul apontava. — Ela está nos convidando para entrar.

Raul confirmou com a cabeça.

— O fragmento parou de queimar. Agora está... frio. — Ele olhou para Fernando. — Ela quer nos receber.

—

O caminho até o núcleo foi aberto.

As árvores se curvavam para os lados, criando um túnel vegetal que levava para o coração da clareira. O grupo avançou em silêncio, tenso, mas determinado.

No centro da clareira, a Malha vegetal pulsava.

Ela era imensa — maior que a Malha Original de São Paulo, maior que qualquer estrutura que Fernando já tinha visto. Raízes grossas como sequoias se entrelaçavam em um padrão hipnótico, formando uma catedral viva. No centro, uma luz violeta pulsava em um ritmo constante.

E diante da Malha, uma figura os esperava.

Ela era humanoide, feita de luz violeta e fragmentos de vegetação. Seu rosto não tinha traços definidos, mas Fernando sentiu que ela estava olhando para ele.

— Codificador Nº 47. — A voz da Ancestral não vinha de um ponto específico — vinha do ar, do chão, das árvores. — Você veio.

— Vim para entender. — Fernando deu um passo à frente. — Vim para saber a verdade.

— A verdade é pesada. — A Ancestral inclinou a cabeça. — Você está preparado para carregá-la?

— Estou.

— Então venha.

A Ancestral estendeu a mão de luz.

Fernando olhou para o grupo. Para Elisa, que assentiu. Para Adão, que observava com olhos atentos. Para todos que haviam lutado ao lado dele.

Ele virou para a Ancestral.

E tocou a mão dela.