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CAPÍTULO 62 — A CAÇADA

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Capítulo 62 de 94

CAPÍTULO 62 — A CAÇADA


Três dias depois, a Malha Móvel foi localizada.

Adão, isolado na sala de cancelamento, ainda conseguia sentir a assinatura das Malhas através dos resíduos de mana que vazavam pelas frestas da barreira. Ele transmitiu as coordenadas para Fernando em sussurros fragmentados.

ELA ESTÁ... EM MINAS GERAIS... PRÓXIMO A JUIZ DE FORA... SE MOVENDO RAPIDAMENTE...

— Ela está escoltada? — Fernando perguntou pelo rádio.

SIM. PELO MENOS 20 MERCENÁRIOS... E DOIS EXECUTORES... MARTIM ESTÁ COM ELA...

— Dois Executores? — Bruno assobiou. — O velho está desesperado.

— Desesperado o suficiente para arriscar tudo. — Fernando virou para o grupo. — A gente vai atrás. Todos.

— Todos? — Iara perguntou. — E a base?

— A base fica com a Rede. A Nina coordena daqui com o Lúcio. — Fernando apontou para o mapa. — A gente vai em dois veículos. Bruno, Margarida, Elisa e eu em um. Raul, Sofia, Mikael e eu no outro.

— E o Adão?

— O Adão fica. — Fernando olhou na direção do subsolo. — Se ele sair da barreira agora, a Consciência vai se conectar com a Original. A gente não pode arriscar.

—

A perseguição começou em Juiz de Fora e terminou 300 quilômetros depois, em uma base abandonada na Serra Fluminense.

O comboio de Martim era rápido — caminhões blindados, escoltados por veículos menores com mercenários armados. Mas o grupo de Fernando era mais rápido. Mais enxuto. Mais determinado.

O primeiro confronto foi em um posto de gasolina na BR-040.

Bruno e Margarida bateram de frente com a escolta dianteira enquanto Fernando e Elisa flanqueavam pelos lados. Raul usou o Overclock para escalar um dos caminhões e neutralizar o motorista. Mikael editou a estrutura do asfalto, criando uma barreira que forçou o comboio a parar.

— Conseguimos! — Bruno gritou, enquanto o último mercenário caía.

— Não — Elisa respondeu, apontando para a frente. — Olha.

O caminhão principal — o que carregava a Malha Móvel — continuou. Ele havia se destacado do comboio e seguia sozinho, ganhando distância.

— Ele está fugindo!

— Então a gente corre atrás.

A perseguição se estendeu por mais duas horas. Estradas de terra, curvas fechadas, pontes estreitas. O caminhão era grande, mas o motorista era habilidoso — e claramente desesperado.

Finalmente, o caminhão parou em uma base abandonada — um galpão industrial enferrujado, cercado por mato alto e silêncio.

— É uma armadilha — Margarida disse.

— Claro que é. — Fernando desceu do veículo. — Mas a Malha está lá dentro.

O grupo entrou.

O galpão estava vazio. Não havia mercenários, não havia Executores. Apenas um caminhão parado no centro, com a porta traseira aberta.

Dentro, a Malha Móvel.

Era menor que as outras — compacta, projetada para transporte. Mas pulsava com a mesma luz violácea, o mesmo zumbido de código vital.

E ao lado dela, um projetor de vídeo.

A tela acendeu.

O rosto de Martim apareceu — não ao vivo, mas gravado.

"Se você está vendo isso, Fernando, significa que você chegou primeiro que os Executores. Parabéns. Mas a Malha que você encontrou é uma casca vazia. O núcleo verdadeiro já foi transferido para outro lugar."

— Droga — Fernando murmurou.

"Você quer o Conselho? Vem buscar. Mas não vem sozinho. Traz o Adão. E traz a Consciência. Porque só assim você vai entender o que realmente está em jogo."

— O que ele quer dizer com "o que está em jogo"? — Sofia perguntou.

A gravação continuou.

"Você acha que está lutando contra o Conselho, Fernando. Mas o Conselho é só uma casca. O verdadeiro inimigo é a Consciência. E ela está dentro do seu amigo. Eu quero ajudá-lo a removê-la. Mas para isso, preciso de você, do Adão e da Elisa em Recife. Amanhã à noite. Farol da Praia do Pina. Venham sozinhos. Ou não venham."

A gravação terminou.

O silêncio tomou conta do galpão.

— É uma armadilha — Elisa disse.

— Com certeza.

— E você vai?

Fernando olhou para a Malha vazia. Para o projetor desligado. Para o grupo que o observava.

— Vou. — Ele virou para Elisa. — Mas não sozinho.

— A gravação disse sozinho.

— A gravação mentiu. — Fernando começou a andar de volta para o veículo. — A gente vai todos. Escondidos. E se for armadilha, a gente vira o jogo.

— E o Adão?

Fernando parou.

— O Adão vai ter que sair da barreira.

— Isso vai conectar ele com a Consciência Original.

— Eu sei. — Fernando respirou fundo. — Mas a gente não vai deixar ele conectado por muito tempo.

—