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CAPÍTULO 55 — A CÂMARA DO SELAMENTO

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Capítulo 55 de 94

CAPÍTULO 55 — A CÂMARA DO SELAMENTO


A Catedral da Sé parecia diferente na manhã seguinte.

Não estava mais escura, ameaçadora. Sob a luz do sol, a pedra antiga ganhava um tom dourado. As portas estavam abertas, e fiéis entravam e saíam — alheios ao que existia debaixo de seus pés.

Fernando parou diante da entrada.

— Última chance de desistir — Elisa disse ao lado dele.

— Não vou desistir.

— Eu sei. Mas precisava dizer.

Eles entraram.

O grupo não estava com ele. Dessa vez, Fernando e Elisa iriam sozinhos — como Helena havia pedido. Mas o grupo estava posicionado nos arredores, com instruções claras: se algo der errado, invadam.

Helena os esperava no altar.

— Você veio — ela disse, aliviada.

— Vim. — Fernando olhou para o buraco no chão, ainda aberto. — Vamos acabar com isso.

Eles desceram.

A Malha Original estava diferente. Não pulsava mais com a luz violácea ameaçadora — agora era um cinza opaco, como um coração que havia parado de bater. A gaiola digital que Fernando havia construído ainda estava lá, frágil, mas presente.

— O núcleo está lá — Helena apontou para o centro da Malha. — Você precisa inserir seu código vital diretamente.

Fernando se aproximou.

Mas então ele parou.

— Helena. — Ele virou para ela. — O que realmente acontece quando eu insiro meu código?

Helena hesitou. — O selamento se completa.

— Não é o que Nina viu.

— Nina?

— A garota que estava comigo ontem. Ela é uma vidente. Ela viu o que realmente acontece. — Fernando segurou o olhar de Helena. — O selamento não é um cadeado. É uma ponte. Eu insiro meu código e a Consciência é libertada através de mim.

Helena empalideceu.

— Isso não é...

— Você não sabia. — Fernando deu um passo à frente. — Mas o Martim sabia. Ele usou você como peça. Ele sabia que você queria se redimir. Sabia que você aceitaria qualquer coisa para honrar a memória do Rafael.

Helena recuou, as mãos tremendo.

— Se isso for verdade... eu entreguei você para ele de novo.

— Você não sabia. — Fernando tocou o ombro dela. — Mas agora sabe.

— O que você vai fazer?

— O que eu sempre faço. — Fernando virou para o núcleo da Malha. — Reescrever as regras.

Ele estendeu as mãos.

O Root Puro ativou.

Ele não inseriu o código. Ele reverteu. Desfez a gaiola digital que havia construído — não completamente, mas o suficiente para acessar o núcleo da Consciência sem se fundir a ela.

— Fernando! — Elisa gritou. — O que você está fazendo?

— O Martim quer a Consciência libertada. — Fernando rangeu os dentes, sentindo a pressão aumentar. — Então vou libertar. Mas não do jeito que ele espera.

Ele começou a reescrever o núcleo.

Não para libertar a Consciência.

Para transferir ela.

Para um lugar onde Martim nunca pudesse alcançá-la.

Para dentro da única prisão que o Conselho nunca ousaria invadir: o corpo de Adão.

— Você está colocando a Consciência no Adão? — Elisa perguntou, incrédula.

— Adão passou 40 anos dentro da Malha. Ele sabe lidar com ela. Ele é a única pessoa que consegue controlar a Consciência de dentro.

— E se ele não conseguir?

— Então a gente descobre junto.

O código começou a fluir. A luz violácea da Consciência se desprendeu da Malha e começou a se mover — não para Fernando, mas para cima, para a superfície, para a Arcadium.

Para o corpo de Adão.

—

Na Arcadium, o monitor cardíaco de Adão disparou.

Os olhos dele se abriram.

Pela primeira vez em 40 anos, Adão estava acordado.

E dentro dele, a Consciência Antiga sussurrava:

OLÁ, FILHO.

Adão sentou na cama. Olhou para as próprias mãos. Para os fios que o conectavam à vida.

Ele não estava mais na Malha.

Ele estava livre.

Mas não sozinho.