Capítulo 43 de 94
CAPÍTULO 43 — O TESTE DE FOGO
A primeira coisa que Elisa fez com o corpo novo foi testar os limites.
Ela não correu em direção ao Executor. Ela teletransportou — um lampejo dourado, e seu corpo se desfez em partículas de mana, se reagrupando atrás do Executor no mesmo instante.
O homem grande virou, surpreso.
— Você é a Codificadora desaparecida — ele disse, a voz carregada de reconhecimento. — Elisa. O Conselho achou que você tivesse morrido na réplica.
— Quase. — Ela estendeu a mão, e uma espada de mana pura se formou em sua palma. — Mas tive uma ajudinha.
O Executor ergueu a corrente. — Seu corpo é artificial. Frágil. Uma boa batida e você se despedaça.
— Vamos descobrir.
Ela atacou.
O combate foi diferente de tudo que Fernando já tinha visto. O Executor usava a corrente como extensão do corpo — cada elo era uma arma, cada movimento era um bloqueio ou ataque simultâneo. Mas Elisa era rápida. Mais rápida que ele. Mais rápida que qualquer humana normal.
Ela usava o teletransporte em frações de segundo — aparecendo, atacando, desaparecendo antes que a corrente pudesse tocá-la. A cada golpe, a espada de mana deixava marcas na pele do Executor.
Mas ele era resistente.
— Você não consegue me derrubar com esses arranhões. — Ele riu, um som gutural. — Preciso de mais?
Ele estendeu a mão, e a corrente se dividiu — não em uma, mas em seis correntes, cada uma se movendo independentemente.
Elisa teletransportou. As correntes a seguiram.
Ela apareceu à esquerda. As correntes a alcançaram.
Ela apareceu acima. As correntes subiram.
— Você não pode fugir — o Executor disse. — Esse corpo novo é alimentado pela sua consciência. E consciência cansa.
Ele estava certo.
O teletransporte de Elisa começou a falhar. As aterrissagens ficavam mais desajeitadas, os intervalos entre aparições mais longos. O corpo novo estava se desgastando — ele havia sido construído em apenas nove horas, sem tempo para maturação adequada.
— Elisa! — Fernando gritou, ainda de joelhos. — Não tenta vencer ele sozinha! Usa o grupo!
Elisa hesitou. Olhou para Fernando. Depois para a entrada do subsolo, onde Bruno, Margarida e os outros estavam chegando, machucados, mas de pé.
— Vocês estão em péssimo estado — ela observou.
— Você também — Bruno respondeu. — Mas a gente junta é melhor que separado.
O Executor riu de novo. — Um grupo de marginais e uma Codificadora fantasma. Isso é tudo que o grande Codificador Nº 47 conseguiu reunir?
— Não. — Fernando finalmente se levantou, apoiado na parede. — É tudo que eu precisei.
Ele ativou o Root.
Não era o Root Puro — o campo de cancelamento do Executor ainda estava ativo, enfraquecendo a conexão. Mas era o suficiente para uma edição básica.
ALVO: EXECUTOR. ANÁLISE: O DISPOSITIVO DE CANCELAMENTO ESTÁ LOCALIZADO NO CENTRO DO PEITO DELE, PROTEGIDO POR UMA PLACA DE AÇO ENCANTADO.
— Elisa. O dispositivo de cancelamento está no peito dele.
— Vi isso. Ele usa a placa de aço como escudo.
— Então a gente tira a placa.
— Como?
Fernando olhou para Margarida.
— Muralha. Agora.
Margarida entendeu na hora. Ela plantou o escudo no chão e ativou a Muralha — não ao redor dela, mas ao redor de Fernando. Escudo de mana máxima, protegendo-o do campo de cancelamento.
CAMPO DE CANCELAMENTO: REDUZIDO EM 60%. ACESSO AO ROOT: PARCIALMENTE RESTAURADO.
— Raul. — Fernando apontou para o Executor. — Overclock. Máximo.
— Seu coração vai parar — Lúcio alertou.
— Vai parar se ele não acertar.
Raul rangeu os dentes. — É agora ou nunca.
Fernando estendeu a mão. O Overclock ativou — não à distância, mas com contato visual direto, uma evolução que ele havia conquistado nos treinos. A mana fluiu de Fernando para Raul em um jato dourado.
Os olhos de Raul brilharam. Seus músculos se contraíram. Ele explodiu para a frente.
O Executor tentou bloquear com a corrente. Mas Raul estava rápido demais — ele desviou, passou por baixo da corrente, e cravou a adaga diretamente na fenda entre a placa de aço e o peito do Executor.
A placa caiu.
O campo de cancelamento se desfez.
— Agora! — Fernando gritou.
Elisa teletransportou. Dessa vez, sem o campo para impedi-la, ela apareceu na frente do Executor, a espada de mana brilhando com toda a intensidade que seu corpo novo podia suportar.
— Isso — ela disse, a voz fria — é pelo que o Conselho fez com Adão.
Ela atravessou o Executor com a espada.
O homem grande parou. Olhou para o próprio peito, onde a luz dourada irradiava do ferimento.
— Você... — ele tossiu sangue. — Você não entende... o Conselho... não é o inimigo...
— Então quem é? — Elisa pressionou.
— O inimigo... — o Executor caiu de joelhos. — É o que está dentro da Malha Original. Não é Adão. É o que controla Adão.
Ele caiu de bruços. A corrente de anulação se apagou.
Silêncio.
Elisa ficou parada, a espada ainda na mão, o corpo tremendo.
— O que controla Adão — ela repetiu. — O que significa isso?
Fernando se aproximou, ofegante.
— Significa que a gente ainda não sabe de tudo.