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CAPÍTULO 30 — SINAL DE ROOT

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Capítulo 30 de 94

CAPÍTULO 30 — SINAL DE ROOT


— É agora!

A fala de Margarida foi o gatilho. O grupo se moveu como uma engrenagem que finalmente encontrou o encaixe.

Bruno foi o primeiro. Ele chutou a porta de serviço dos fundos da Arcadium com o ombro — a madeira estilhaçou, e ele entrou com a espada já desembainhada. Margarida veio logo atrás, o escudo cobrindo a entrada. Raul deslizou por baixo do escudo, as adagas novas brilhando. Sofia entrou em seguida, as mãos já carregadas de mana. Lúcio fechou a retaguarda, o terço no pulso, os olhos atentos.

Luan ficou do lado de fora, no ponto de observação, com o laptop aberto e os fones nos ouvidos.

— Porta de serviço violada — ele informou pela rede. — Seis seguranças vindo pelo corredor leste. Distância: 30 metros.

— Margarida — Bruno disse.

— Já vi. — Ela levantou o escudo e avançou. — Vão vindo. Segura a esquerda.

Os seis seguranças eram profissionais — armaduras leves, bastões de choque encantados, treinamento de elite. Mas eles nunca tinham enfrentado algo como aquele grupo.

Margarida absorveu o impacto do primeiro ataque sem recuar um centímetro. Bruno passou por ela no momento exato, derrubando o segundo segurança com um golpe preciso. Raul cortou as pernas do terceiro antes que ele pudesse disparar o bastão. Sofia congelou o quarto e o quinto com uma onda de mana.

O sexto tentou fugir. Bruno não deixou.

— Dezoito segundos — Luan contou pela rede. — Bom tempo. Mas tem mais subindo do andar de cima. Uns vinte.

— Vinte seguranças? — Raul engoliu em seco.

— Caçadores. — Luan corrigiu. — Seguranças são seis. Os vinte são caçadores de rank D e C.

O silêncio na rede durou um segundo.

— A gente não vai enfrentar vinte caçadores num corredor estreito — Sofia disse.

— Não vamos. — Margarida apontou para uma porta lateral. — Escada de serviço. Leva direto ao subsolo. Eles não esperam a gente por lá.

Bruno franziu a testa. — Como você conhece o prédio?

— Eu trabalhei aqui, Brunão. Vinte anos atrás. — Ela já estava abrindo a porta. — Sei cada túnel, cada saída de emergência, cada buraco que eles tentaram esconder.

O grupo seguiu Margarida pela escada estreita. Os degraus de concreto ecoavam sob as botas. O ar ficava mais frio a cada andar descido.

— Fernandinho — Bruno chamou pela rede — tá nos ouvindo?

A resposta veio, mas distorcida, como se viesse de muito longe.

— Tô... aqui. — A voz de Fernando estava tensa, como se ele estivesse segurando algo. — Consegui ativar o Root... Mas o Augusto está mais forte que eu esperava. Ele não está apenas conectado à Malha... Ele é parte dela.

— O que isso significa? — Sofia perguntou.

— Significa que quando eu edito, ele sente. E quando ele edita... eu sinto.

— Vocês estão ligados? — Lúcio perguntou.

— Pior. — A voz de Fernando vacilou. — A gente está competindo pelo controle da mesma rede. É como... dividir o mesmo sistema nervoso com alguém que quer te matar.

O grupo trocou olhares no escuro da escada.

— Quanto tempo você aguenta? — Margarida perguntou.

— Não sei. — Uma pausa. Fernando grunhiu, como se estivesse em esforço físico. — Mas vou segurar enquanto vocês chegam.

Bruno apertou o cabo da espada.

— Então a gente vai rápido.

Eles desceram mais dois lances. O cheiro de mana crua ficava mais forte — não era o cheiro limpo de cristal, mas o odor pesado de energia orgânica, algo vivo e pulsando.

— Estamos chegando — Margarida disse. — Mais um andar.

— Espera. — Luan cortou a respiração ofegante de Raul. — Tem algo no andar de vocês. Não é humano.

— O que é?

— Não sei. A assinatura de mana é... errada. Múltiplas fontes no mesmo corpo.

O grupo parou. A porta do subsolo Nível 2 estava à frente. Fechada. Lacrada com um selo de mana brilhante.

— É uma armadilha — Sofia disse.

— Claro que é. — Bruno tocou a porta. — Mas não temos escolha.

Ele empurrou. A porta cedeu.

O corredor do outro lado era coberto pelas mesmas paredes orgânicas pulsantes que Fernando havia descrito. O ar vibrava com o zumbido da Malha. E no centro do corredor, uma figura os esperava.

Não era um caçador. Não era um segurança.

Era um humano — ou o que sobrou de um. Seu corpo estava coberto por placas de cristal que cresciam da pele, os olhos substituídos por lentes brilhantes, os braços terminando em lâminas de osso e metal.

— Modificado — Margarida murmurou, reconhecendo os sinais. — Eles estão fazendo isso com pessoas vivas.

A criatura inclinou a cabeça. Sua voz saiu distorcida, como se falasse através de uma garganta de pedra.

— O Administrador não autorizou a passagem de vocês.

— O Administrador? — Bruno franziu a testa.

— Augusto. — Sofia apontou para o cristal no peito da criatura. — Ele está controlando eles pela Malha.

— Então a gente desativa o controle. — Fernando apareceu na rede, a voz mais clara agora. — Toquem o cristal no peito dele. Vou tentar desfazer a programação pela rede.

— Tocando no cristal? — Raul engoliu em seco. — Enquanto ele tenta nos cortar com aquelas lâminas?

— Basicamente, sim.

Margarida suspirou.

— Vinte anos fora do jogo, e já volto pra loucura.

Ela avançou.