Capítulo 28 de 94
CAPÍTULO 28 — O PREÇO DO SUCESSO
O último treino foi o melhor de todos.
Sete minutos de sincronia contínua. Margarida e Bruno alternando ataques como se tivessem treinado juntos por anos. Raul e Sofia combinando feitiços e golpes em uma coreografia fluida. Lúcio curando no momento exato. Fernando editando em tempo real, a rede pulsando estável.
Quando terminaram, estavam exaustos, cobertos de suor e respiração pesada. Mas estavam prontos.
— Vamos — Fernando disse, guardando os óculos. — Hora de acabar com isso.
O grupo começou a se preparar. Margarida ajustou a armadura. Bruno afiou a espada. Raul testou o peso das adagas novas. Sofia preparou os cristais sobressalentes. Lúcio benzeu cada um deles.
O celular de Fernando vibrou.
Ele atendeu. Não disse nada. Apenas ouviu.
A voz do outro lado era distorcida — não por efeito digital, mas por algo mais sinistro. Como se estivesse falando através de um filtro de mana.
— Parabéns pelo treino, Fernando. Sete minutos. Impressionante.
Ele reconheceu a voz. Homem de Preto.
— Você está nos monitorando.
— Claro. Disse que sabia de tudo. — A voz de Augusto estava calma, quase paternal. — Desde o primeiro encontro na oficina. Desde a dungeon na Zona Norte. Desde o recrutamento da Margarida. Cada passo.
Fernando apertou o telefone. — O que você quer?
— Quero que você olhe o e-mail que acabei de enviar.
Fernando abriu o e-mail no celular. Uma foto.
Hiroshi, amarrado a uma cadeira na oficina. Amordaçado. Os olhos arregalados de raiva, mas intacto.
— Ele está vivo — Augusto disse. — E vai continuar vivo se você fizer o que eu mandar.
— O que é?
— Venha sozinho para a Arcadium. Sem o grupo. Sem os óculos. Sem o Root ativo. Se eu sentir qualquer edição vital num raio de 500 metros do prédio, o Hiroshi morre.
— Você está blefando.
— Estou? — Augusto riu — uma risada baixa, fria. — Você tem 30 minutos, Fernando. Depois disso, eu começo a desligar os sistemas de suporte vital do ferreiro. E acredite, sei exatamente como fazer isso doer.
A ligação caiu.
Fernando ficou parado, o telefone na mão, o sangue fervendo.
— O que foi? — Bruno perguntou, sentindo a mudança no ar. — Fernando, o que foi?
— Ele pegou o Hiroshi.
O silêncio caiu como uma bigorna.
— A gente vai buscar ele — Margarida disse, puxando o escudo.
— Não. — Fernando levantou a mão. — Ele quer que eu vá sozinho. Disse que se sentir o Root a 500 metros, mata o Hiroshi.
— Você não pode ir sozinho — Luan disse, a voz apertada. — É uma armadilha.
— Eu sei que é. — Fernando guardou o celular. — Mas se eu não for, o Hiroshi morre.
— Então a gente vai com você de qualquer jeito — Raul disse. — Mesmo que seja à distância. A gente espera seu sinal.
— Se ele detectar vocês...
— Ele não vai detectar. — Sofia deu um passo à frente. — Posso conjurar um campo de supressão de mana ao redor do grupo. Reduz nossa assinatura energética a quase zero. Mas dura só 15 minutos.
— Quinze minutos é o suficiente. — Bruno colocou a mão no ombro de Fernando. — Você não vai enfrentar isso sozinho, parceiro. A gente termina junto.
Fernando olhou para cada um deles. Margarida, a tanker que voltou das cinzas. Bruno, o guerreiro que sobreviveu ao impossível. Raul, o canhão de vidro que aprendeu a durar. Sofia, a maga que recuperou o fogo. Lúcio, o pastor que carregava a fé de todos. Luan, o garoto que despertou o Root depois de morrer.
Marginalizados. Descartados. Subestimados.
Mas juntos.
— Tudo bem. — Fernando respirou fundo. — Vamos no plano B. Eu entro sozinho pela frente. Vocês entram pelos fundos, com supressão de mana. Quando eu der o sinal — um pico de Root — vocês invadem.
— E o sinal? — Lúcio perguntou.
— Vocês vão saber quando sentir.
O grupo se moveu em silêncio. Cada um preparando seu equipamento, cada um processando o que estava prestes a acontecer.
O relógio marcava 21h.
Faltavam 30 minutos para o prazo.