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CAPÍTULO 27 — O SELO DE CONFIANÇA

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Capítulo 27 de 94

CAPÍTULO 27 — O SELO DE CONFIANÇA


O segundo dia de treino amanheceu com o céu cinzento e uma garoa fina que molhava o chão do galpão abandonado. Fernando chegou antes de todos — não dormiu bem, mas também não importava. A adrenalina mantinha ele acordado.

O grupo chegou aos poucos. Margarida com a armadura já vestida. Raul com uma nova adaga — dessa vez, uma lâmina que Hiroshi havia forjado durante a noite. Sofia com um brilho diferente nos olhos — o núcleo restaurado começava a fazer efeito. Lúcio com o terço no pulso e uma calma que parecia contagiar o ambiente.

— 18 horas — Fernando disse quando todos estavam reunidos. — Dá tempo de fazer mais seis treinos. Talvez oito, se a gente acelerar.

— Oito? — Bruno riu. — Você quer nos matar antes da batalha?

— Quero que vocês estejam vivos depois da batalha.

Eles treinaram.

O primeiro treino da manhã foi para corrigir os erros do dia anterior. Margarida e Bruno aprenderam a alternar ataques sem colidir. Raul aprendeu a esperar o momento certo. Sofia aprendeu a dosar a potência dos feitiços para não sobrecarregar a rede.

O segundo treino foi sobre sincronia. Fernando forçou o Root ao limite, mantendo a rede ativa por 12 minutos — dois a mais que o limite seguro. Quando terminou, ele caiu de joelhos, a mana zerada.

— Você está forçando demais — Lúcio disse, a mão no ombro dele. — Se você colapsar antes da batalha, não adianta nada.

— Se eu não colapsar, a gente pode ter uma chance.

O terceiro treino foi o ponto de virada.

Eles enfrentaram uma simulação de combate contra Bruno — que se vestiu com uma armadura improvisada de sucata e atuou como o "inimigo". A luta durou três minutos. Três minutos de sincronia quase perfeita.

Margarida segurou. Bruno flanqueou. Raul cortou. Sofia cobriu. Lúcio curou. Fernando editou.

Quando Bruno caiu, gemendo no chão de concreto, o grupo explodiu em gritos de comemoração.

— CONSEGUIMOS! — Raul gritou, pulando. — A GENTE CONSEGUIU!

— Três minutos — Margarida disse, ofegante, mas sorrindo. — Três minutos sem ninguém morrer.

— É um recorde — Sofia completou.

Lúcio benzeu o ar, rindo. Fernando sentou no chão, o corpo pesado, mas o coração leve.

— Três minutos. — Ele olhou para o relógio. 12 horas restantes. — Mais dois treinos e a gente dobra isso.

— Aí a gente invade a Arcadium — Bruno disse, sentando ao lado dele. — Seis pessoas contra uma guilda inteira.

— Sete — Hiroshi apareceu na porta do galpão, carregando uma caixa de metal. — Eu disse que não ia ficar de fora.

Ele abriu a caixa. Dentro, seis pares de óculos — versões simplificadas dos V1.0, com lentes de cristal Grau I e armação de aço leve.

— Para comunicação — Hiroshi explicou. — Cada par está sintonizado na mesma frequência de mana. Vocês vão conseguir se ouvir mentalmente num raio de 500 metros.

— Isso é... — Luan, que estava encostado na parede assistindo, arregalou os olhos. — Incrível.

— É básico. — Hiroshi entregou os óculos para cada um. — Mas deve ajudar.

Fernando colocou os dele. Instantaneamente, sentiu as presenças dos outros cinco — não como vozes, mas como impulsos. Sensações. Margarida, determinada. Bruno, ansioso. Raul, impaciente. Sofia, concentrada. Lúcio, calmo.

— Consigo sentir todo mundo — ele disse.

— Eu também — Sofia confirmou, surpresa. — É como se a gente estivesse conectado.

— É exatamente isso. — Hiroshi limpou as mãos no pano. — A rede que o Fernando cria em combate, esses óculos mantêm fora dele. Não é tão forte, mas permite comunicação básica.

O grupo se entreolhou. Pela primeira vez, eles não pareciam seis estranhos prestes a cometer um suicídio coletivo.

Eles pareciam um esquadrão.

— Uma hora de descanso — Fernando anunciou. — Depois, último treino. E aí a gente vai.