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CAPÍTULO 18 — A ARMA QUE NÃO DEVERIA EXISTIR

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Capítulo 18 de 94

CAPÍTULO 18 — A ARMA QUE NÃO DEVERIA EXISTIR


O bar no Brás era exatamente o tipo de lugar que Fernando evitaria em circunstâncias normais — balcão de fórmica arranhada, luz fluorescente piscando, cheiro de gordura e cigarro velho. Luan estava em uma mesa no fundo, com um guaraná sem gelo e um chapéu enterrado até as orelhas.

— Você veio — ele disse quando Fernando sentou.

— Trouxe o caderno. — Fernando colocou o volume sobre a mesa. — E trouxe alguém.

Bruno apareceu atrás, sentando-se sem ser convidado. — Segurança. Não leva a mal.

Luan olhou para Bruno, depois para Fernando, e pareceu chegar a uma conclusão. — Confia nele?

— Com minha vida. Já salvou a dele.

— Justo. — Luan abriu uma mochila surrada e tirou um laptop coberto de adesivos. — Tenho algo para mostrar para vocês. Algo que encontrei nos servidores da Abyss Corp antes de ser descoberto.

Ele abriu o laptop e girou a tela. O que apareceu era um diagrama técnico — semelhante aos que Fernando tinha visto na oficina de Hiroshi, mas mais complexo. E mais sinistro.

— O que é isso? — Fernando perguntou.

— O verdadeiro projeto do Rafael. — Luan apontou para o diagrama. — Não era uma arma de destruição. Era um transmissor. Uma antena de mana projetada para amplificar o sinal do Root a nível metropolitano.

— Amplificar para quê?

— Para conectar todos os Codificadores da cidade em uma única rede. Em tempo real. Compartilhando mana, habilidades e informações como se fossem um só sistema. — Luan baixou a voz. — O Rafael chamava isso de "A Malha".

Bruno assobiou. — Uma rede neural de Codificadores.

— Exato. — Luan virou a tela para mostrar outra aba. — Mas quando ele apresentou o projeto para a Arcadium, eles disseram que era "instável demais para implementar". Mandaram ele construir uma arma convencional. Ele obedeceu. Mas deixou os planos da Malha escondidos.

— E o homem de preto? — Fernando perguntou.

— Ele descobriu. — Luan fechou o laptop. — Não sei como, mas descobriu. E usou isso para chantagear o Rafael. "Constroi a Malha para a gente, ou a gente conta para todo mundo o que você é."

— E o Rafael recusou.

— Recusou. E pagou com a vida. — Luan apoiou os cotovelos na mesa. — Mas aí entra a parte que eu não entendo. O homem de preto não destruiu os planos da Malha. Ele guardou. E alguém começou a construir.

— Como sabe?

— Porque a assinatura de mana nos cristais que vocês encontraram nas dungeons — Luan tirou o cristal vermelho do bolso — é idêntica à assinatura dos componentes da Malha. Alguém está construindo uma versão corrompida dela.

Fernando pegou o cristal. Gírou-o entre os dedos.

— E eles estão usando as fendas adulteradas como fonte de energia. As dungeons que eles reclassificaram não são acidentes — são baterias. Estações de coleta de mana para alimentar a Malha.

O silêncio na mesa era pesado.

— Precisamos levar isso para o Hiroshi. — Fernando se levantou. — Ele vai saber identificar os componentes.

— E depois? — Luan perguntou.

— Depois a gente descobre onde estão construindo a Malha. E a gente destrói antes que eles terminem.

A oficina de Hiroshi estava iluminada quando eles chegaram. O velho ferreiro trabalhava em uma peça quando os três entraram. Ao ver Luan, ele parou.

— Você. — Hiroshi apontou para o garoto. — O office boy da Abyss. Eu lembro de você. Veio aqui uma vez perguntar sobre o Rafael.

— Fui sim. — Luan baixou a cabeça. — O senhor mentiu para mim. Disse que não sabia de nada.

— Porque não sabia se podia confiar em você. — Hiroshi olhou para Fernando. — Mas parece que o avaliador confia. Então vou dar o benefício da dúvida.

Fernando contou tudo. A Malha. Os cristais. As fendas adulteradas. O homem de preto.

Quando terminou, Hiroshi estava pálido.

— Eu sei onde estão construindo — ele disse, a voz um fio. — O aprendiz que mencionei. O que trabalhou comigo antes de ser roubado pela Arcadium. Ele montou uma oficina clandestina no subsolo do edifício-sede da guilda. Três andares abaixo do arquivo morto.

— O nome dele — Fernando perguntou. — Qual é o nome?

Hiroshi fechou os olhos. Parecia estar reunindo forças para dizer.

— Augusto. Augusto Campos. Ele era meu melhor aluno. Até o dia em que a Arcadium o levou para "trabalhos especiais". — A voz do velho ferreiro tremeu. — O mesmo Augusto que, segundo o caderno do Rafael, tem uma assinatura de mana dividida. Duas presenças em um corpo.

— O Homem de Preto. — Fernando sentiu as peças se encaixarem. — O Augusto foi transformado. Eles fizeram nele o mesmo que planejam fazer com todos os Codificadores.

— E agora ele está construindo a Malha para eles — Luan completou. — Usando o projeto que matou o Rafael.

Bruno praguejou baixo. — Então o que a gente faz?

Fernando colocou os óculos. A cidade lá fora estava escura, mas ele sabia que a luz estava ali — a luz dourada do Root, esperando para ser usada.

— A gente invade o subsolo da Arcadium. Acha a oficina do Augusto. E destrói a Malha antes que ela seja ativada.

— Isso é suicídio — Luan disse.

— Talvez. — Fernando ajustou os óculos. — Mas é o único jeito.

Ele virou para sair — e a porta da oficina se abriu antes que ele a tocasse.

Do lado de fora, sob a luz amarela do poste da rua, o Homem de Terno Preto esperava.

Seu sorriso era frio, calculado, e não alcançava seus olhos.

— Boa noite, Fernando. Nós precisamos conversar.


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