Capítulo 16 de 36
Capítulo 16: O Fio Roxo na Taça de Ouro
A Princesa Lyanna ergueu a taça dourada com os dedos trêmulos.
A jovem sabia que estava em perigo desde o momento em que fora convocada às pressas para o banquete, mas a etiqueta imperial exigia que ela brindasse à saúde do pai agonizante diante de duzentas testemunhas. O líquido escuro brilhava sob as lamparinas de cristal.
Ela levou a borda da taça aos lábios.
Nenhum guarda se moveu. O General Kaelen estava a vinte passos de distância; Varis estava preso em uma conversa protocolar com os juízes do Senado.
Elena não gritou. Não correu. Um escândalo aberto daria aos homens de Malakar o pretexto perfeito para desembainhar o aço sob a justificativa de conter o pânico.
Em vez disso, Elena respirou fundo e deslizou a manga direita dois centímetros para cima, expondo o Segundo Círculo de prata.
— Gavinhas de Prata.
Abaixo da linha das mesas, escondidos pelas toalhas de linho damasceno que caíam até o chão, fios etéreos ultrafinos dispararam de seus dedos. Eles viajaram invisíveis pelo ar, rastejando pelo mármore como raízes de vidro, cruzando os dez passos que a separavam da mesa da princesa.
No milissegundo em que a primeira gota de vinho tocou o lábio inferior de Lyanna, o fio etéreo de Elena conectou-se à taça.
Acolha.
O veneno da Cicuta Fantasma não desceu pela garganta da herdeira. Ele foi sugado diretamente pelo fio invisível, viajando pela rede de éter até repousar na superfície gélida do Espelho de Espinhos no peito de Elena.
O impacto da toxina atingiu Elena como uma punhalada de gelo no estômago. O ar faltou em seus pulmões; suas pupilas dilataram-se em tons violeta e prateado. Mas ela manteve a cabeça erguida, os dentes cerrados, as mãos apoiadas com graça aristocrática sobre a mesa.
Ela não guardaria aquele veneno por mais de cinco segundos.
Retribuir.
Elena não mirou na princesa. Não mirou em Malakar — o chanceler estava protegido por defesas arcanas que exigiriam um impacto direto.
Seus olhos encontraram o copeiro que acabara de servir a jarra. O homem já dava três passos para trás com um sorriso dissimulado e cúmplice nos lábios, apanhando discretamente uma pequena taça de degustação para disfarçar o ato.
O segundo fio etéreo disparou da mão de Elena, cravando-se silenciosamente na taça do servo.
Tssss.
O copeiro levou a taça de degustação à boca com naturalidade para cumprir o protocolo da corte.
No segundo em que o líquido tocou sua língua, os olhos do homem saltaram das órbitas.
Um engasgo abafado cortou a música dos menestréis. O servo soltou a jarra de prata, que se espatifou no mármore com um estrondo de metal e vinho derramado. Ele levou as duas mãos à própria garganta, contorcendo-se enquanto suas veias faciais explodiam em um roxo quase negro.
O homem caiu de joelhos sobre as carnes assadas da mesa, vomitando espuma escura antes de desabar inerte sobre o piso diante dos embaixadores de Val-Thoran.
O caos estourou no salão. Damas gritaram, copos quebraram-se e nobres recuaram em desespero aos berros de "Veneno!".
A Princesa Lyanna largou a taça vazia com as mãos trêmulas, olhando para o servo morto a dois passos de si e depois para Elena. O olhar de gratidão da jovem herdeira cruzou com a serenidade fria de Elena na multidão.
Malakar ergueu-se de seu assento com a espada cerimonial desembainhada, o rosto contorcido em uma máscara de determinação tirânica.
— Traição! — bradou o Grão-Chanceler, sua voz amplificada por ressonância mágica abafando os gritos do salão. — Assassinos infiltraram-se no banquete para exterminar a linhagem imperial! Guardas, fechem os portões do palácio! Pela segurança do império, o Conselho de Regência assume o comando supremo agora!
Cinquenta soldados com as insígnias do chanceler inundaram o salão pelas galerias superiores, erguendo bestas pesadas em direção aos nobres e a Kaelen.
— O trono está vago! — rugiu Malakar, os olhos brilhando com a vitória iminente. — Matem qualquer um que resistir à transição de poder!
O salão tornou-se uma armadilha mortal.
Mas no instante em que as bestas foram armadas, as portas duplas de quartzo nos fundos do estrado imperial abriram-se com um estrondo que fez o próprio chão tremer.
Uma figura envolta em chamas douradas deu o primeiro passo para dentro do salão.