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Capítulo 15: O Banquete dos Pretendentes

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Capítulo 15 de 36

Capítulo 15: O Banquete dos Pretendentes


O Grande Salão dos Espelhos de Ouro brilhava sob a luz de mil candelabros de cristal encantado.

Mais de trezentos nobres — duques com mantos de arminho, generais laureados, princesas provinciais e emissários do temido Império de Val-Thoran — apinhavam-se ao redor das mesas monumentais de jacarandá carregadas de faisões assados, vinhos do sul e taças de prata lavrada.

A tensão no salão, no entanto, cortava como uma lâmina de gelo.

O trono imperial, entalhado em um único bloco de quartzo dourado sob o dossel de seda carmesim, permanecia vazio.

No estrado inferior, Elena adentrou o recinto acompanhada por uma presença que fez dezenas de aristocratas engolirem em seco: o General Kaelen.

O herói de guerra, cuja morte fora dada como certa dois dias atrás, marchava com passos firmes ao lado da herborista. Trajava sua armadura de placas completa de aço estelar, a capa escarlate ondulando com imponência militar. Ele mantinha a mão esquerda pousada no cabo de sua espada bastarda, os olhos fixos na multidão como um cão de guarda leal.

E ao seu lado, Elena roubava a respiração da corte.

Ela não vestia as cores espalhafatosas da aristocracia da capital. Usava um vestido de corte austero em veludo azul-meia-noite, com mangas ajustadas que cobriam até os punhos, ocultando as duas linhas prateadas que pulsavam sob sua pele. Em seu peito, reluzia a insígnia da Coroa: o broche de platina dos Mestres Honorários.

Seus cabelos estavam alinhados em uma trança refinada presa por alfinetes de safira. A calma em seu rosto era um contraste sublime com os olhares famintos ao redor.

— Veja se não é a camponesa dos milagres — uma voz aguda e carregada de escárnio quebrou a passagem.

A Duquesa Vivienne, matriarca de uma das casas aliadas a Malakar, bloqueou o caminho de Elena com um sorriso perfumado. A mulher trajava um vestido de seda com babados extravagantes e abanava-se com plumas de pavão imperial.

— Ouvi dizer que o Tribunal anda tão desesperado que permite que curandeiras de chiqueiro circulem entre a nobreza de sangue puro. Diga-me, querida... que tipo de esterco você usou para comprar a capa que veste?

O General Kaelen deu meio passo à frente, os nós dos dedos estalando sobre o punho da espada, mas Elena pousou suavemente a ponta dos dedos sobre o antebraço encouraçado do guerreiro, detendo-o com um toque gentil.

Ela voltou o olhar para a duquesa. O castanho límpido de seus olhos tinha a profundidade de um poço escuro.

— Eu usei o mesmo esterco com que a senhora rega a sua linhagem, Duquesa — respondeu Elena, a voz suave, macia e clara o suficiente para ecoar por três mesas ao redor. — A diferença é que os meus remédios limpam a podridão dos homens, enquanto as suas palavras apenas tentam mascarar o cheiro de uma casa que há três gerações vive de dívidas perdoadas pelo trono.

Três nobres ao fundo engasgaram com o vinho. A Duquesa Vivienne empalideceu, as plumas de pavão paralisando no meio do ar enquanto o sangue fugia de seus lábios.

Elena deu um passo à frente, forçando a aristocrata a recuar para o lado com um farfalhar humilhante de sedas.

— Com licença, milady. Há assuntos de império a tratar esta noite.

Elena avançou em direção à mesa alta, onde o Grão-Chanceler Malakar presidia a ceia ao lado dos embaixadores de Val-Thoran.

Mas enquanto caminhava, uma sensação aguda e gélida despertou no centro de seu peito.

Ting.

O Espelho de Espinhos vibrou. Uma ressonância súbita de veneno ativo disparou em suas veias como uma corda de harpa arrebentada.

Elena parou. Seus olhos vasculharam a mesa alta com rapidez cirúrgica.

Ali, sentada em um banco discreto atrás da comitiva imperial, estava a jovem de dezoito anos vestida como simples dama de companhia a quem Kaelen e o próprio imperador lhe haviam confiado vigiar antes de entrarem no salão. Tinha cabelos escuros e a pele marcada pela tensão, mas nos traços de seu queixo e na curva de seus olhos brilhava a linhagem inconfundível de Aurelius: a Princesa Lyanna, a herdeira ilegítima mantida sob segredo de estado desde a infância para escapar das adagas do Senado.

Um copeiro imperial com a libré de Malakar aproximava-se da garota com uma jarra de vinho aromatizado.

Elena enxergou o rastro.

Pelo bico da jarra de prata, escorria uma gota fosca e quase invisível de Extrato de Cicuta Fantasma — um veneno que paralisava o coração em silêncio, fazendo a morte parecer um ataque súbito de pânico.

O copo dourado da jovem princesa acabara de ser servido.