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Capítulo 14: O Parasita de Sangue

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Capítulo 14 de 36

Capítulo 14: O Parasita de Sangue


O vapor que subia da taça de ouro trazia um aroma familiar aos sentidos refinados de Elena: flor-de-lótus cinzenta e essência de dormideira real. Mas por baixo daquela doçura tranquilizante, havia uma nota metálica quase imperceptível.

Ferro estagnado e seiva de mandrágora negra.

— O remédio do imperador foi preparado pelos maiores alquimistas do Senado, senhorita — disse Malakar, estendendo a taça na direção do leito com uma reverência teatral. — Ele acalma o ardor das cinzas e permite que Sua Majestade descanse.

O imperador estendeu a mão esquerda trêmula para aceitar a taça. Seus olhos dourados estavam opacos pela dor.

Elena deu dois passos rápidos à frente.

Sem erguer a voz, ela interceptou a trajetória da mão do Grão-Chanceler, pousando suavemente os dedos enluvados sobre a borda da taça dourada.

O choque na sala foi imediato. Dois dos Paladinos Silenciosos desembainharam meio palmo de suas lâminas pesadas, o rangido de metal ecoando na câmara. Varis prendeu a respiração, aterrorizado pela ousadia da jovem.

— O que pensa que está fazendo, plebeia? — sussurrou Malakar, o sorriso polido desfazendo-se em uma expressão de fúria gélida. — Tocar na taça imperial é crime de alta traição!

Elena não recuou a mão. Ela olhou diretamente nos olhos negros do chanceler.

— Se o imperador beber este preparado agora, lorde Chanceler, ele sequer ficará de pé para o banquete desta noite.

O silêncio que se seguiu foi tão pesado que o crepitar das tochas parecia uma explosão.

— Explique-se — ordenou o imperador, a voz cortando a tensão como um machado de gelo.

Elena virou-se para o soberano, mantendo a taça suspensa entre seus dedos e os de Malakar.

— O que consome o corpo de Vossa Majestade não é uma doença e nem mesmo uma maldição estática — disse ela com segurança cirúrgica. — É um Vínculo Parasitário de Sangue. Uma âncora invisível foi cravada em seu éter. A cada dia, sua vitalidade ancestral é drenada e canalizada para outro receptáculo. E este licor que o Grão-Chanceler oferece com tanta solicitude... não é um remédio. É um catalisador alquímico que dissolve as defesas naturais do seu sangue de dragão, acelerando a queima para que as cinzas tomem seu coração.

Malakar soltou uma risada ríspida, mas uma veia em sua têmpora pulsou descompassada.

— Absurdo! Insolência delirante de uma curandeira de beira de estrada! Varis, retire esta louca daqui antes que eu mande cortar-lhe a língua!

— Silêncio, Malakar! — rugiu Aurelius.

O esforço fez o imperador cuspir uma golfada de saliva misturada a pó cinzento sobre os lençóis. Ele ergueu os olhos dourados para Elena. Havia uma chama feroz de sobrevivência naquelas pupilas antigas.

— Aproxime-se, garota de Oakhaven — disse o imperador. — Toque na ferida. Se você mentir, o meu próprio fogo consumirá sua carne até os ossos. Se disser a verdade... o império será pequeno demais para conter a sua recompensa.

Elena deslizou as luvas para fora das mãos.

Pele nua contra as cinzas imperiais.

Ela pousou a mão direita sobre a borda do tórax calcificado do imperador.

Acolha.

O contato foi devastador. Uma onda de chamas invisíveis subiu instantaneamente pelo braço de Elena. Não era o veneno corrosivo da Casa Vane nem a podridão do general; era a fúria ancestral de uma linhagem milenar sendo devorada por magia negra proibida.

As duas linhas prateadas de seu pulso — o Segundo Círculo — acenderam-se em um brilho ofuscante, vibrando com tanta força que os ossos de seu antebraço estalaram em protesto.

Mas em meio àquela tempestade de agonia, os sentidos de Elena encontraram o que procuravam:

Um fio etéreo. Espesso, escuro como sangue coagulado, partindo diretamente do coração do imperador e estendendo-se invisível pela câmara... conectando-se diretamente ao anel de rubi no polegar esquerdo de Malakar.

O Grão-Chanceler era o hospedeiro do parasita.

Elena recolheu a mão, ofegante, uma gota de suor frio escorrendo por sua têmpora. O Espelho dentro dela rangeu sob a carga do fogo imperial, mas ela não tombou.

Ela olhou para Malakar, cujo semblante agora trazia o ódio puro dos culpados desmascarados.

Nesse instante, os sinos de bronze da catedral palaciana começaram a repicar.

Drom! Drom! Drom!

— O Grande Banquete dos Pretendentes começou — anunciou Malakar em um sussurro venenoso, recuando dois passos em direção às sombras da porta. — Os duques e os embaixadores de Val-Thoran aguardam no salão dos espelhos para exigir o testamento imperial. Se Sua Majestade não se apresentar para nomear um herdeiro esta noite... o trono será declarado vago pela lei do Senado.

O chanceler curvou-se com falsa polidez e sumiu pelo corredor escuro.

Aurelius fechou os punhos sobre os lençóis empoeirados de cinzas, os olhos fixos em Elena.

— Eles querem a minha coroa antes da meia-noite, menina — sussurrou o imperador com urgência febril. — Malakar sabe que mantive minha única filha, a jovem Lyanna, oculta entre as damas do salão sob a vigília discreta de Kaelen para escapar das adagas do Senado. Vá na frente com o general. Vigie a minha herdeira... e quando eu cruzar as portas do estrado, você consegue me manter de pé para desmascará-los?

Elena ajeitou o vestido, a postura serena e inabalável retornando ao seu semblante com a elegância de uma rainha.

— Eu não apenas manterei Vossa Majestade de pé — disse ela. — Eu farei com que os traidores engulam as cinzas que tentaram colocar no seu túmulo.