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Capítulo 13: O Palácio de Vidro

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Capítulo 13 de 36

Capítulo 13: O Palácio de Vidro


A carruagem real não cruzou as pontes públicas que ligavam a cidade ao palácio. Ela desceu por túneis subterrâneos escavados no próprio quartzo das colinas, onde apenas os cocheiros cegos da guarda pessoal tinham permissão para guiar.

Elena e o Inquisidor Varis desceram diante de uma grande arcada de ferro negro, guardada por quatro sentinelas colossais em armaduras sem frestas. Os homens não respiravam audivelmente; eram os Paladinos Silenciosos, guerreiros vinculados por votos mágicos de lealdade eterna à linhagem do dragão.

O ar cheirava a incenso de mirra, óleo de rosas secas e um traço metálico, acre e sufocante: cinzas frias.

— A partir deste portal, senhorita Elena — sussurrou Varis, ajeitando a capa índigo com dedos visivelmente tensos —, o que seus olhos testemunharem torna-se segredo de estado sob pena de decapitação sumária.

Elena não piscou. Apenas ajustou as luvas de camurça macia sobre as mãos, mantendo a postura ereta que aprendera a cultivar como sua armadura mais impenetrável.

— O segredo só tem poder sobre quem teme a verdade, lorde Inquisidor. Vamos entrar.

As portas de ferro abriram-se com um silvo pneumático de ar comprimido.

O interior do Palácio de Vidro era uma maravilha de engenharia e escuridão. As paredes eram de cristal negro translúcido, revelando a névoa noturna lá fora, mas o aposento imperial estava iluminado apenas por tochas bruxuleantes de chama prateada.

No centro da câmara, sobre um estrado elevado de rocha obsidiana, repousava o leito imperial.

Ali jazia o Imperador Aurelius IV.

O governante do maior império do continente não se parecia em nada com os retratos triunfantes gravados nas moedas de ouro. O homem, outrora conhecido por sua estatura imponente e voz de trovão, estava reduzido a uma figura esquelética.

O pior, no entanto, era a natureza da aflição.

O lado esquerdo do corpo do imperador parecia normal, embora pálido e febril. Mas do ombro direito até a coxa, sua carne não sangrava: ela estava literalmente petrificada em uma casca áspera de cinzas cinzentas e quebradiças. Pequenas partículas de pó desprendiam-se de sua pele a cada respiração fraca, caindo sobre os lençóis de linho dourado como neve fúnebre.

A Maldição do Fogo Oculto, Elena percebeu em um relance de seu conhecimento botânico e arcano. Uma queima de dentro para fora que consome a vitalidade da alma.

Um som rouco e áspero veio do leito.

O imperador abriu os olhos. Suas íris não eram cinzentas ou castanhas; brilhavam com uma luz dourada pura, vestígio da linhagem de dragão que fundara Sol-Valen. O olhar do monarca cravou-se em Elena com a lucidez assustadora dos que estão com um pé além do véu.

— Então... esta é a garota que fez Cedric Vane amputar o próprio braço — a voz do imperador soou como pedra raspando em pedra, fraca, mas carregada de uma majestade inata que fez Varis cair de joelhos imediatamente.

Elena não caiu de joelhos. Ela fez uma reverência solene e graciosa, descendo a cabeça na medida exata de respeito devido a um soberano, sem submissão rasteira.

— Sou Elena de Oakhaven, Vossa Majestade. Vim para examinar a ferida que os seus sábios não tiveram coragem de tocar.

Um sorriso amargo e tênue quebrou a rigidez dos lábios ressecados de Aurelius.

— Eles tocaram, menina. E quando tocaram, suas mãos de ouro viraram carvão. O que faz você pensar que o seu sangue de herborista suportará o fogo que está transformando o imperador em cinzas?

Antes que Elena pudesse responder, passos macios ecoaram sobre o piso de mármore atrás deles.

Uma figura envolta em mantos de veludo roxo com bordados de serpentes entrelaçadas emergiu das sombras das colunas. Seu rosto era liso, pálido, com olhos negros como poços sem fundo e um sorriso comedido de sacerdote experiente.

Era o Grão-Chanceler Malakar, o homem que governava o império nas sombras da doença do imperador.

Em suas mãos finas e de unhas impecavelmente polidas, Malakar trazia uma taça de ouro cravejada de rubis, da qual emanava um vapor suave e adocicado.

— Que surpresa agradável, Inquisidor Varis — disse Malakar, a voz macia como seda sobre uma lâmina afiada. — Não sabia que o Tribunal agora trazia crianças da floresta para o leito do nosso amado monarca... justo na hora de seu remédio mais sagrado.