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Capítulo 12: A Balança se Inclina

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Capítulo 12 de 36

Capítulo 12: A Balança se Inclina


A poeira demorou a baixar no grande Anfiteatro Cirúrgico de Sol-Valen.

Dois dias se passaram desde a manhã do escrutínio, mas as ruas da capital imperial falavam de apenas um assunto: o desmantelamento em praça pública da conspiratória Casa Vane e a consagração da misteriosa curandeira da fronteira.

A amputação de emergência do braço de Lorde Cedric não o salvou do opróbrio político. Na mesma tarde do julgamento, investigadores do Tribunal Arcano revistaram as mansões da família e encontraram estoques clandestinos de Néctar Escarlate e diários que comprovavam a tentativa deliberada de assassinato do General Kaelen.

Cedric fora destituído de seus títulos e trancafiado em uma fortaleza de isolamento; seu filho Julian fora despojado de suas armas e banido para as guarnições de lama da fronteira sul.

E Elena agora ocupava o topo.

Naquela tarde de outono, Elena encontrava-se nos aposentos privados da Ala dos Mestres da Academia.

O quarto era imenso, com paredes revestidas de tapeçarias de seda da cor de vinho e janelas panorâmicas que se abriam para os jardins suspensos de laranjeiras mágicas. Sobre uma mesa de jacarandá, repousavam pergaminhos de velino com o brasão dourado da Coroa Imperial: a nomeação oficial de Elena como Mestra Honorária da Medicina de Guerra e o título hereditário de Protetora do Cálice de Prata.

A herborista de Oakhaven não precisava mais temer fogueiras ou decretos de hereges. Ela era agora uma autoridade sagrada intocável do império.

Elena estava diante de um espelho de prata autêntica na parede.

Ela deslizou a manga de veludo para cima. Ao redor de seu pulso e antebraço direito, duas linhas perfeitas de prata fosca entrelaçavam-se como serpentes gêmeas. Seu receptáculo havia amadurecido. Ela sentia o Espelho de Espinhos pulsar em seu peito não mais como uma taça frágil sob risco de rachar, mas como uma cidadela etérea capaz de absorver e estocar dores complexas por dias antes de decidir a quem devolvê-las.

Uma batida suave soou na porta de carvalho maciço.

— Entre — autorizou Elena, sem alterar a compostura.

A porta abriu-se, revelando o Inquisidor-Chefe Varis.

O velho magistrado trajava suas melhores vestes cerimoniais, mas a expressão em seu rosto austero era grave, desprovida de qualquer traço da euforia que tomava conta da corte. Ele trazia sob a capa uma pequena caixa de ébano lacrada com fitas de ferro.

— A senhorita alcançou em quarenta e oito horas o que a maioria dos nobres leva quatro gerações para comprar com ouro e sangue — disse Varis, fechando a porta com cuidado atrás de si.

— O ouro compra lealdade falsa, lorde Inquisidor — respondeu Elena, voltando-se para ele com um sorriso tênue. — A restauração da vida compra a alma dos homens. O que o traz aqui com tanta discrição?

Varis pousou a caixa de ébano sobre a mesa de jacarandá, entre os decretos imperiais.

— O caso da Casa Vane foi apenas a primeira onda de uma maré muito mais profunda, Elena — sussurrou o homem, a voz descendo a um murmúrio que mal ultrapassava a distância entre os dois. — Há uma razão pela qual os ministros da coroa estavam desesperados para testar uma curandeira de transmutação absoluta.

Ele quebrou o fecho de ferro da caixa com um estalo seco.

Lá dentro, sobre uma almofada de veludo negro, repousava um rolo de pergaminho de linho imperial. O selo de cera que o fechava não tinha o brasão do Tribunal ou do Senado.

Tinha a marca de uma gota de sangue humano fresco, cristalizada por magia rúnica suprema — o sinete pessoal do Imperador de Sol-Valen.

Elena aproximou-se devagar, seus olhos castanhos fixando-se no pergaminho.

— O Imperador não compareceu ao Grande Conselho esta semana — observou ela com sua percepção aguçada. — Nem aos banquetes de celebração da vitória sobre os Espreitadores.

— O Imperador está morrendo, Elena — confessou Varis, os olhos cinzentos cheios de uma sombra terrível. — E não é de velhice. Há quatro meses, sua Majestade foi acometido por uma maldição ancestral que os deuses dos templos e os arcanistas supremos sequer conseguem nomear. A cada lua cheia, a carne dele se transforma em cinzas dormentes.

Varis olhou fixamente para o pulso marcado de prata de Elena.

— Os conselheiros sabem que a linhagem imperial não tem herdeiro direto. Se o trono vacilar antes do solstício de inverno, três impérios vizinhos marcharão sobre as nossas fronteiras e esta cidade virará cinzas em uma semana.

Elena tocou o selo de sangue da carta. Uma corrente de frio inexplicável percorreu a ponta de seus dedos, fazendo o Espelho de Espinhos dentro de si estremecer com uma fome antiga, diferente de tudo o que ela já havia sentido.

Não era apenas dor de homem comum. Era o peso do destino de uma nação inteira.

Ela ergueu os olhos para Varis, a voz firme e límpida como sempre:

— Quando partimos para o Palácio de Vidro?