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Capítulo 11: O Teatro da Agonia

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Capítulo 11 de 36

Capítulo 11: O Teatro da Agonia


O silêncio no Anfiteatro Cirúrgico era tão denso que o som do sangue gotejando da liteira de ferro no mármore negro parecia um badalo de relógio.

Quinhentos pares de olhos acompanhavam cada respiração de Elena.

Nas tribunas altas, Julian Vane inclinava-se para a frente com um sorriso nos lábios, ansioso para ver a carne da mulher que o humilhara ser consumida pela podridão do general. Ao lado dele, seu pai, Lorde Cedric, girava distraidamente a bengala com a safira escura entre os dedos anelados, mantendo o fluxo invisível que alimentava a necrose.

Elena não pegou bisturis de prata. Não acendeu braseiros de purificação.

Ela apenas deslizou a manga direita para cima, revelando o antebraço alvo onde a linha prateada da cicatriz de éter reluzia como uma joia viva.

Depois, pousou as duas mãos diretamente sobre a massa negra e pútrida que consumia o peito do General Kaelen.

— Acolha.

O choque elétrico que percorreu a arena fez o ar vibrar.

A podridão abissal — uma praga que corroía ossos e derretia músculos — foi arrancada da carne do general com uma força brutal. O miasma negro transformou-se em fumaça espessa que foi tragada diretamente para dentro das palmas abertas de Elena.

O peito do general chiou como metal incandescente mergulhado em água fria.

Sob os olhares estarrecidos dos médicos e juízes, as costelas expostas do veterano cobriram-se de carne rosada e saudável. Os pulmões perfurados reconstruíram-se em segundos. As artérias negras desobstruíram-se, e o sangue limpo voltou a circular em suas veias com força juvenil. O homem soltou um rugido de alívio e tombou para o lado, adormecido, com o peito liso e intacto.

Mas o anfiteatro não teve tempo de comemorar.

O impacto da absorção quase deitou Elena sobre a liteira.

A dor da necrose abissal era diferente de qualquer corte ou fratura que ela já suportara. Era como se ácido sulfúrico estivesse sendo injetado diretamente em sua medula espinhal. As veias do pescoço de Elena incharam em um tom ébano profundo; a linha prateada de seu pulso escureceu, e fissuras de vidro negro começaram a rasgar a pele de seu rosto, subindo pela bochecha até a têmpora esquerda.

O sangue pingou dos lábios entreabertos de Elena.

— Ela está colapsando! — gritou o Erudito Dorian do púlpito, os olhos brilhando em triunfo selvagem. — O corpo dela não aguenta a corrupção! Guardas, preparem as correntes de ferro-frio para o cadáver da herege!

Lorde Cedric ergueu-se no camarote, pronto para dar a ordem de encerramento da sessão.

Elena, no entanto, forçou os joelhos trêmulos a se endireitarem.

A dor em seu corpo era suficiente para enlouquecer dez homens feitos, mas a mente de Elena permanecia cristalina, afiada pelo conhecimento de quem compreendia cada sutileza das toxinas. Ela não precisava reter aquele horror. Ela já tinha o alvo perfeito.

Elena ergueu os olhos manchados de ônix diretamente para o camarote de Lorde Cedric.

— O senhor derramou veneno no peito deste guerreiro por semanas — disse ela, a voz amplificada pelo éter, ressoando nas abóbadas de pedra com a solenidade de uma sentença de morte. — Chegou a hora de provar do seu próprio cálice, milorde.

Ela ergueu a mão direita e apontou o indicador para a safira no topo da bengala do nobre.

Retribuição por Ressonância.

A conexão invisível que Cedric usava para alimentar a podridão serviu como a mais perfeita das estradas. Toda a necrose abissal, todo o ácido e a corrupção acumulados no Espelho de Espinhos de Elena dispararam pelo ar em um raio de luz negra fosca, silencioso e instantâneo.

O feixe atingiu em cheio a joia da bengala.

CABUM.

A safira explodiu em pó azul no meio do camarote nobre.

No mesmo segundo, Lorde Cedric soltou um berro desumano que ecoou por todo o anfiteatro, fazendo as damas da plateia gritarem em pânico.

A mão direita do patriarca da Casa Vane enegreceu em menos de dois segundos. A pele descascou-se em tiras fétidas, os tendões dissolveram-se diante dos olhos de todos e três de seus dedos caíram sobre a mesa de mogno como gravetos podres e queimados. A necrose subiu pelo punho do homem até o antebraço antes que os guardas da corte conseguissem decepar a manga em desespero.

— Socorro! — urrava Cedric, contorcendo-se no chão do camarote enquanto vomitava bile negra. — Cortem meu braço! Cortem essa maldição!

O pânico tomou conta das bancadas. Centenas de pessoas ergueram-se aos berros, tropeçando nas escadarias de pedra.

No centro da arena, as fissuras negras no rosto de Elena desapareceram em um suspiro de exaustão. A linha em seu pulso voltou a brilhar em prata pura, agora acompanhada por uma segunda volta completa ao redor de seu antebraço — o Segundo Círculo do Espelho estava desbloqueado.

Elena pegou um lenço de linho branco do bolso do vestido, limpou a gota de sangue de seus lábios com absoluta elegância e olhou para o púlpito onde Dorian estava paralisado de pavor.

— O paciente está curado, senhor Erudito — disse Elena, a voz serena cortando o caos do salão. — Agora... quem de vocês terá a coragem de me chamar de herege outra vez?