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Capítulo 10: O Paciente Condenado

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Capítulo 10 de 36

Capítulo 10: O Paciente Condenado


A manhã em Sol-Valen nasceu sob um céu de chumbo.

O grande Anfiteatro Cirúrgico da Academia de Guerra estava lotado até a última bancada de pedra branca. Mais de quinhentas pessoas — juízes togados do Tribunal Arcano, mestres cirurgiões de mantos prateados, damas da alta nobreza e generais de armadura de desfile — amontoavam-se nas arquibancadas circulares, cujos assentos desciam em degraus íngremes em direção à arena central de mármore negro.

No camarote principal, cercado por conselheiros imperiais, sentava-se Lorde Cedric Vane.

O patriarca da Casa Vane era um homem imponente de cinquenta anos, com barbas aparadas em fio de prata e uma capa pesada de brocado carmesim presa por fechos de ouro maciço. Ao lado dele, encolhido e com o pescoço coberto por uma gola alta de veludo para ocultar a cicatriz que Elena lhe infligira, estava seu filho Julian.

O jovem nobre olhava para a arena lá embaixo com uma mistura doentia de ódio e ansiedade.

Elena entrou no centro da arena por uma arcada lateral.

Ela não vestia o uniforme branco humilhante dos aprendizes da instituição. Usava um vestido elegante de veludo verde-escuro, de corte sóbrio e aristocrático, com mangas compridas e o corpete ajustado com distinção modesta. Seus cabelos estavam presos em uma trança coroa perfeita; as mãos, nuas e imaculadas, repousavam unidas sobre o ventre.

Sua entrada calma e sem pressa silenciou os murmúrios das bancadas.

O Erudito Dorian posicionou-se no púlpito de bronze com um pergaminho imperial aberto.

— Que comece o escrutínio clínico! — anunciou a voz amplificada por ressonadores mágicos. — A ré, Elena de Oakhaven, afirma deter métodos de cura transmutativa capazes de superar os limites da magia sagrada de terceiro grau. De acordo com o Código de Sol-Valen, o teste de verificação exige a demonstração em um caso de agonia irreversível.

Quatro assistentes de vestes brancas empurraram uma liteira de ferro para o centro do piso de mármore negro.

Sobre a liteira repousava um homem imenso.

Era o General Kaelen, um herói de guerra condecorado em três campanhas imperiais. O homem, antes temido por sua força titânica, estava reduzido a uma carcaça cadavérica. Sua pele tinha a cor de cinzas frias e, do meio de seu peito aberto, uma massa purulenta e borbulhante de veias negras pulsava como um coração parasita.

O cheiro que subiu da liteira foi tão pútrido que dezenas de nobres nas arquibancadas cobriram o nariz com lenços perfumados.

— Necrose Abissal — declarou Dorian com um tom teatral e sombrio. — Contraída durante a purga das catacumbas submersas da costa sul. Qualquer tentativa de aplicar magia de cura sagrada padrão acelera o apodrecimento, dissolvendo os pulmões do paciente em menos de trinta segundos. Treze grandes mestres do templo tentaram purificá-lo e falharam.

Dorian desceu o olhar para Elena com um sorriso sádico.

— A senhorita tem uma hora para restaurar a integridade vital do general. Se o homem morrer sob seus cuidados, sua técnica será formalmente classificada como malefício fatal, e você será conduzida diretamente ao cadafalso do Tribunal.

Nas tribunas, Lorde Cedric Vane recostou-se no assento de veludo e levou à boca uma taça de vinho dourado, satisfeito. O plano era perfeito: o general era um caso perdido deliberadamente mantido vivo para aquela execução pública.

Elena aproximou-se da liteira sem cobrir o nariz.

Ela inclinou-se sobre o general moribundo. O homem mal respirava; seus olhos estavam leitosos, cegos pela febre abissal. Quando a mão de Elena tocou a testa suada do soldado, ele soltou um gemido trêmulo de pura agonia.

Mas o olhar de Elena não parou na ferida. Seus olhos atentos e treinados na botica notaram algo a mais.

Entre as pregas da atadura encharcada de podridão, havia traços microscópicos de um pó azul-marinho. Resina de Éter Negro. Um composto sintético usado para impedir artificialmente que o corpo expulse uma infecção. Alguém estava alimentando aquela podridão de propósito.

Elena ergueu o queixo e olhou diretamente para o camarote da Casa Vane.

Na mão direita de Lorde Cedric, repousava uma bengala de mogno encimada por uma esfera de safira escura. A joia pulsava em uma frequência quase invisível, sintonizada com a resina no peito do general.

Eles não apenas trouxeram um homem doente, compreendeu Elena com uma frieza fulminante. Eles estão assassinando o próprio herói de guerra diante do império para garantir a minha forca.

Elena deu meio passo para trás, alinhou os ombros com majestosa elegância e respirou fundo.

— O tempo da consulta começou — sussurrou ela para a arena em silêncio. — E a conta desta vez será cobrada dos verdadeiros donos da podridão.