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CAPÍTULO 81 — MEMÓRIAS DO FUTURO

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Capítulo 81 de 94

CAPÍTULO 81 — MEMÓRIAS DO FUTURO


A luz violeta se dissipou lentamente.

Fernando estava de joelhos no centro da clareira, o fragmento de Raul pulsando em sua mão como uma brasa viva. Ao lado dele, Raul havia caído — não desmaiado, mas esgotado. Sofia estava ajoelhada ao lado dele, segurando sua cabeça.

— Raul! — a voz dela era desesperada. — Raul, me olha!

Os olhos de Raul estavam abertos, mas vazios. Não violetas — apenas o castanho comum de antes. O fragmento havia saído completamente.

— Estou bem — ele disse, a voz fraca. — Só... tonto. É estranho. O fragmento estava comigo há tanto tempo que eu nem lembrava como era viver sem ele.

— Você vai ficar bem? — Sofia perguntou.

— Vou. — Ele tentou sorrir. — Só vou ter que aprender a ser um caçador normal de novo.

Sofia apertou a mão dele e não soltou.

—

Fernando olhou para o fragmento em sua mão. Ele podia sentir o peso dele — não físico, mas espiritual. Uma consciência minúscula, um fragmento de uma alma de 10 mil anos, pulsando em sua palma.

— É o primeiro — ele murmurou.

O PRIMEIRO DOS 47. MAS NÃO O ÚLTIMO. VOCÊ PRECISA DOS OUTROS PARA COMPLETAR A REPROGRAMAÇÃO.

— Onde estão os outros 46?

ESPALHADOS. EM CADA CODIFICADOR QUE AINDA VIVE. EM CADA FRAGMENTO QUE AINDA NÃO FOI ENTREGUE.

— Como eu encontro eles?

VOCÊ NÃO PRECISA ENCONTRAR. ELES VÃO VIR ATÉ VOCÊ. O FRAGMENTO QUE VOCÊ SEGURA É O SINAL. OS OUTROS VÃO SENTIR.

Fernando fechou a mão ao redor do fragmento.

— Quanto tempo?

DIAS. TALVEZ HORAS. OS FRAGMENTOS ESTÃO DESPERTANDO. ELES SABEM QUE A HORA CHEGOU.

—

Horas depois, o primeiro sinal veio.

Não da Amazônia. De longe.

Mikael, que estava montando guarda na entrada da clareira, caiu de joelhos. Sua mão foi instintivamente ao peito. Quando ele ergueu os olhos, eles brilhavam violeta.

— Eu sinto — ele disse, a voz distante. — Os outros fragmentos. Eles estão se movendo.

— Se movendo para onde? — Iara perguntou.

— Para cá. Para a clareira. — Mikael apertou o peito. — Eles estão vindo.

—

Naquela noite, o impossível aconteceu.

Codificadores de todo o Brasil começaram a chegar.

Não em veículos. Não a pé. Eles apareciam na borda da clareira, guiados pelo fragmento que Fernando segurava. Cada um carregava um fragmento. Cada um vinha para entregá-lo.

A primeira foi uma mulher idosa de Salvador, que segurou a mão de Fernando e deixou o fragmento fluir como uma lágrima de luz.

— Tome — ela disse. — Eu guardei isso por tempo demais.

O segundo foi um homem de meia-idade do Rio de Janeiro, que entregou o fragmento sem dizer uma palavra, apenas com um aceno de cabeça.

O terceiro foi uma criança — um menino de 9 anos de Fortaleza, que olhou para Fernando com olhos violetas e disse:

— A senhora de luz disse que você precisa disso.

Fernando se ajoelhou na frente do menino.

— A senhora de luz?

— Ela é bonita. Tá esperando você há muito tempo. — O menino estendeu a mão. O fragmento flutuou para a palma de Fernando. — Ela disse pra te falar: "Não tenha medo."

O menino sorriu, os olhos voltando ao normal.

E então saiu correndo para procurar a mãe.

—

Em 24 horas, Fernando recebeu 23 fragmentos.

Metade do caminho.

O fragmento em sua mão agora pulsava com uma luz tão intensa que iluminava a clareira inteira. Mas ele estava exausto — cada fragmento exigia um pouco da sua energia para ser integrado.

— Você precisa descansar — Elisa disse, colocando a mão no ombro dele.

— Não posso. Enquanto eu descanso, os fragmentos estão vindo. Se eu parar agora, posso perder o ritmo.

— Se você desmaiar, vai perder tudo.

Ele sabia que ela estava certa.

Mas a Ancestral estava esperando.