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CAPÍTULO 40 — O DILEMA DO CODIFICADOR

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Capítulo 40 de 94

CAPÍTULO 40 — O DILEMA DO CODIFICADOR


A reunião começou às 6h da manhã, na sala do conselho do vigésimo andar.

Fernando estava de pé diante da mesa redonda. O grupo estava espalhado ao redor — Bruno encostado na parede, Margarida sentada com os braços cruzados, Raul inquieto na cadeira, Sofia com os olhos semicerrados de quem não dormiu, Lúcio com as mãos entrelaçadas sobre a mesa. Hiroshi, ainda fraco, participava por videochamada de uma das telas.

— 72 horas — Fernando começou. — É o tempo que temos antes do Conselho Original ativar o despertar de Adão.

— 72 horas pra quê? — Bruno perguntou.

— Pra impedir.

— E como a gente impede uma coisa que vem sendo planejada há 40 anos? — Sofia inclinou a cabeça, o ceticismo estampado no rosto. — A gente mal sobreviveu à última batalha, Fernando. Mal.

— Eu sei. — Fernando colocou o Codex sobre a mesa. — Mas eu encontrei algo. Uma aliada.

— Uma aliada? — Raul se inclinou para a frente. — Quem?

— Elisa. A segunda Codificadora. — Fernando ativou o Root, e a presença dourada pulsou no ar acima da mesa. — Ela estava presa na Malha da Arcadium. Eu a libertei.

O grupo ficou em silêncio. A energia dourada tremulou, como se estivesse cumprimentando cada um deles.

— É a Entidade — Lúcio disse, a voz calma, mas as sobrancelhas franzidas. — A mesma que emergiu da Malha quando você a destruiu.

— Sim.

— E você confia nela?

Fernando hesitou. — Confio parcialmente. Ela quer um corpo novo. Eu posso construí-lo com o Root Puro. Em troca, ela me ajuda a enfrentar o Conselho e impedir o despertar de Adão.

— Construir um corpo — Margarida repetiu, a voz baixa e pesada. — Moço, isso é coisa de Deus.

— É coisa de Codificador. — Fernando sustentou o olhar dela. — E é a única chance que a gente tem.

O silêncio se estendeu. Era um silêncio pesado, cheio de dúvidas e tensões não ditas.

— Eu sou a favor — Bruno disse finalmente. Todo mundo virou para ele. — Olha, eu quase morri por causa do Root. Se o Fernando não tivesse editado minha malha vital, eu não estaria aqui. Ele salvou minha vida. E desde então, cada decisão que ele tomou foi pensando no grupo. Se ele confia na Elisa, eu confio também.

— Você confia porque você quase morreu — Sofia rebateu. — Isso não é motivo.

— É motivo pra caralho. — Bruno não levantou a voz, mas as palavras cortaram. — Eu vi o que ele é capaz de fazer. Se ele diz que pode construir um corpo, ele constrói.

— E se der errado? — Lúcio perguntou. Sua voz estava calma, mas seus olhos estavam fixos em Fernando. — Se a Elisa não for confiável? Se ela estiver usando você para se libertar e depois nos trair?

— É um risco — Fernando admitiu. — Mas é menor que o risco de enfrentar o Conselho sozinho.

— A gente não está sozinho — Raul disse. — A gente tem o grupo.

— O grupo é forte, mas não o suficiente. — Fernando virou o Codex para que todos pudessem ver os símbolos. — O Conselho Original existe há 40 anos. Eles têm recursos, conexões, e uma Malha que cobre o país inteiro. A gente tem um prédio tomado, alguns equipamentos roubados, e eu com um Root que mal aprendi a controlar.

— E uma Entidade — Margarida completou. — Não esquece dela.

— Não esqueço. — Fernando respirou fundo. — É por isso que estou pedindo o voto de vocês. Não vou tomar essa decisão sozinho. O grupo decide junto.

Ele olhou para cada um.

— Quem é a favor de aceitar a aliança com a Elisa?

Bruno levantou a mão. Raul levantou a mão. Lúcio olhou para os dois, hesitou, e lentamente ergueu a mão também.

— Se o grupo vai, eu vou — ele disse.

Sofia não levantou a mão. — Eu preciso de mais provas. Não contra você, Fernando. Contra ela.

— Justo. — Fernando virou para Margarida. — E você?

Margarida ficou em silêncio por um longo minuto. Seus olhos percorreram o grupo, o Codex, a energia dourada pairando sobre a mesa.

— Eu já perdi muita gente nessa vida — ela disse finalmente. — Perdi colega, perdi amigo, perdi aluno. Quando eu entrei nessa, achei que era pra morrer sozinha. — Ela olhou para Fernando. — Mas você me deu um motivo pra viver de novo. Então se você acha que essa é a jogada certa, eu tô contigo. Mas com uma condição.

— Qual?

— Se a Elisa trair — Margarida se levantou, a voz firme, os olhos duros — você vai ser o responsável por parar ela. Pessoalmente. Sem hesitar. Porque se ela machucar alguém do grupo por sua causa, a culpa vai ser sua.

O peso da condição caiu sobre Fernando como uma bigorna.

— Aceito.

Ele estendeu a mão. Margarida apertou.

— Então tá feito. — Ela soltou a mão e se sentou. — Qual é o plano?

Fernando abriu o Codex na página 147.

— Primeiro passo: construir o corpo.


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